Ginástica Holística e Incontinência Urinária de Esforço

Domingo teve vivência de Ginástica Holística, ontem foi dia da Incontinência Urinária, então iremos unir os dois temas no artigo de hoje.

O artigo é um estudo piloto com o título: Efeitos de um programa de exercícios terapêuticos na qualidade de vida e problemas lombares em mulheres com incontinência urinária de esforço.

A incontinência urinária (IU) afeta muitas mulheres de várias idades no mundo inteiro, podendo causar problemas sociais e de higiene, fáceis de notar. A incontinência urinária de esforço (IUE) consiste na perda de urina que ocorre durante qualquer situação de esforço físico, como tossir ou espirrar. Os fatores de risco mais comuns que contribuem com o aparecimento da IUE são gravidez, parto normal, envelhecimento,doenças que envolvem aumento de pressão abdominal, menopausa, hipoestrogenismo, traumas, fatores genéticos, fumar e cirurgias. O treinamento dos músculos do assoalho pélvico apresenta efeitos positivos no tratamento de IUE, como a redução da frequência de vazamento de urina e melhora da função muscular com contrações estáticas e dinâmicas, resistentes e vigorosas, prevenindo a descida dos órgãos da cavidade abdominal. Além disso, a contração dos músculos do assoalho pélvico ativa músculos que estabilizam a coluna vertebral, como o psoas, multífidos e o transverso do abdômen.

A Ginástica Holística (GH) é um método de exercícios terapêuticos no qual são propostos movimentos que levam em consideração as peculiaridades relacionadas com as características anatômicas, fisiológicas, sensoriais e motoras, estimulando a melhor coordenação das ações do corpo, respeitando o ritmo e as limitações de cada paciente. Os movimentos são descritos oralmente, e os pacientes tentam alcançar gradualmente uma mudança da memória corporal. Foi desenvolvido por Lily Ehenfried, uma médica e fisioterapeuta alemã.

O propósito do estudo foi avaliar os efeitos de um programa específico de exercícios terapêuticos na qualidade de vida e  problemas lombares em mulheres com incontinência. O estudo piloto não foi controlado, contendo somente um grupo sendo avaliado antes e depois. Vinte mulheres entre as idades de 35 e 65 foram voluntárias. Elas tinham queixa de IUE e concordaram com os termos. Como critério de exclusão foram as que tinham doenças neurológicas, oncológicas, infecções, gravidez, estado cognitivo seriamente alterado, e as que não realizaram todos os exames ginecológicos por mais de um ano.

Elas responderam questionários de incontinência urinária, de problemas lombares e realizaram testes da musculatura.

O treino começou com contrações do períneo isométricas e fásicas individualmente. O método GH foi usado em grupo. Foram escolhidos os exercícios mais simples e mais apropriados com o perfil sócio-cultural das pacientes, e foram descritos usando palavras do vocabulário do dia-a-dia para melhorar a compreensão.

As pacientes foram tratadas por um ano usando o PPTL (pé, períneo, transverso do abdômen e língua) e 3 outros movimentos foram enfatizados para serem repetidos em casa. Nos grupos aprenderam a trabalhar em silêncio para aumentar a consciência corporal, e elas começaram a dividir suas impressões com as outras. Os exercícios evoluíram de consciência da região pélvica, mobilidade de região pélvica e das zonas simpáticas e parassimpáticas, e por fim, fortalecimentos da pélvis em uma estrutura mais organizada.

Após 3 semanas consecutivas sem nenhum vazamento involuntário de urina, as pacientes foram encorajadas a continuar duas vezes por semana até completar um ano após o tratamento. Depois de 12 meses, foi realizado novo exame.

 

A amostra consistiu principalmente mulheres com mais de um parto, que estavam com sobrepeso e fisicamente ativas. Também apresentaram baixo nível de escolaridade e com diagnóstico de IUE. Dessa amostra, 60% usava o pad (absorvente de proteção para o vazamento de urina), 80% apresentava mais de um parto, 80% apresentava constipação e 85% acreditavam que estavam no climatério. A maioria apresentava flatos e continência fecal, o que indica preservação do esfíncter anal. Algumas mulheres relataram melhora nas dores em outras regiões do corpo, confirmando o caráter global do método. A GH realiza exercícios terapêuticos em grupo o que motiva os pacientes e aumenta a participação. Encoraja o reconhecimento do próprio corpo e a assimilação da consciência no dia-a-dia.

Os resultados desse estudo mostram melhora na incontinência urinária, na qualidade de vida, e nos problemas lombares. O caráter proprioceptivo do método pode ter ajudado a prolongar a consciência corporal e motivas a interação entre as participantes. Elas pareceram confidentes o bastante para compartilhar experiências e melhoras, assim, encorajando o grupo.

Mais estudos precisam ser realizados com grupo controle para melhor entender e pode prescrever exercícios mais eficazes para a incontinência urinária.

Para ler o artigo na íntegra e saber a descrição dos exercícios utilizados clique aqui.

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