Precisamos nos mexer?

No artigo de hoje vamos discutir como o exercício físico evoluiu para ser uma recomendação de promoção de saúde. Porém muitas pessoas não conseguem fazer exercício, por falta de vontade, mesmo sabendo que é bom. Por quê? Eis nosso paradoxo.

Então vamos entender a evolução do homem junto ao exercício físico. Primeiramente precisamos saber quanto de atividade física somos adaptados a fazer, em seguida, o quanto também somos adaptados a ficar inativos, e por fim, o quanto de informação da evolução da atividade e inatividade física é relevante para o paradoxo do exercício?

Todos os animais, incluindo os homens, são adaptados para ser fisicamente ativos, principalmente para encontrar suprimentos e parceiros, como também para evitar virar presas. No entanto os homens foram mais adaptados para a atividade física de resistência. Assim, as atividades que foram se tornando de característica humana são as caminhadas de longa distância, correr no calor, escalar, cavar, carregar e arremessar.
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Dessa forma os humanos foram selecionados para serem os atletas de resistência, mas não é controverso falar que eles também são adaptados a descansar quando possível. No passado, e ainda atualmente em regiões nas quais são realizadas a caça e coleta, os homens sentam no chão, fazem tarefas, cuidam das crianças, e realizam outras atividades que exijam pouco esforço.

Esses dados foram usados para discutir que a mudança na dieta, e não a atividade física, que foi a principal causa do excedente de energia, consequentemente obesidade em humanos da era contemporânea pós-industrial.

Os caçadores/coletores estão frequentemente no equilíbrio (às vezes mais, às vezes menos) do tipo de atividade física considerada nos dias atuais, como ir correr. Além disso os humanos evoluíram para armazenar o máximo de gordura possível para ter energia reserva suficiente. Mesmo assim, o índice de massa corporal dos caçadores é sempre menor que 23. Unindo tudo, houve uma seleção para que os humanos sejam relativamente mais obesos comparando com outros primatas, mas catabolizar essas reservas regularmente, como também se engajar em mais atividades físicas que outros primatas, mas também descansar sempre que possível.

Uma vez que músculos consomem aproximadamente 40% da taxa metabólica do corpo em repouso, em músculos isolados, ocorre hipertrofia sob demanda, e atrofia em desuso. Uma reação similar ocorre variando os níveis de atividade física, o que se aplica a quase todos os sistemas do corpo, incluindo o sistema circulatório, o sistema esquelético, e o metabolismo. Por exemplo, andar, correr, e outras formas de atividade também geram um estresse mecânico no esqueleto, que leva a uma estimulação na deposição de osso e reparação. A inatividade leva a ossos fracos que aumentam o risco de osteoporose e outras doenças. Atividade física atua até no sistema nervoso, que aumenta a função neuronal, ajudando a explicar porque inatividade é relacionada com diminuição da saúde mental e algumas formas de demência.

Condições incompatíveis são definidas como doenças que são mais prevalentes ou mais severas hoje que antigamente, pois o corpo é inadequado ou insuficientemente adaptado para as condições do ambiente moderno. Somado a isso, as incompatibilidades que são causadas por inatividade física tendem a não afetar as pessoas até o período de pós-reprodutivo.

No caso de exercício, a inatividade está causando o crescimento do número de pessoas nos países desenvolvidos e em desenvolvimento  com doenças coronarianas, hipertensão arterial, diabetes tipo 2, osteoporose, entre outras.

Enquanto o exercício é efetivo para promover saúde, não há uma dose mínima, nem uma dose ótima. O exercício tem muitos benefícios para a função cardiovascular, porém não previne todas as doenças, e pode ser até lesivo em algumas intensidades.

Em suma, os humanos são adaptados a serem atletas de resistência, mas também adaptados a serem inativos quando possível. É natural e normal ter preguiça física. Mesmo que uma pequena porcentagem de pessoas se exercitam hoje como remédio, realizando sua dose prescrita, a maioria das pessoas agem como seus ancestrais, exercitando-se somente quando é divertido ou quando necessário.

Uma perspectiva evolucionária da forma mais eficaz de promover o exercício físico será de duas maneiras: a primeira é fazer atividade física mais agradável e divertida em escolas, trabalho e em outros ambientes. A segunda é reestruturar nossos ambientes para que façamos mais atividade física.

Artigo na íntegra aqui.

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