O papel da sensibilização na dor de ombro músculo-esquelética

Em muitos casos de disfunções do ombro, mesmo com a biomecânica restaurada, músculos alongados e fortalecidos, a dor permanece.

O artigo a seguir explica porquê:

A dor no ombro está entre as queixas principais nos consultórios médicos. Os problemas apresentados mais comuns são dor, dificuldade em levantar o braço acima da cabeça, trabalho e lazer prejudicados, e dificuldade para dormir. Há diversos tratamentos conservadores que valem a pena, porém ainda apresentam resultados não muito bons e modestos devido a várias explicações, sendo uma delas a sensibilização.

Mas o que é sensibilização?

A sensibilização é um fenômeno do sistema nervoso que ocorre em conjunto com a dor. Ela faz com que uma dor inofensiva seja percebida como muito dolorosa devido ao aumento da nocicepção. Somado à essa redução do limiar de dor, o aumento da percepção da dor também é resultante da ativação prolongada dos receptores e/ou ativação de receptores polimodais. Isso leva a percepção de dores em atividades que normalmente não causam dor, chamada de sensibilização periférica.

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Na maioria dos casos isto é uma resposta normal à lesão, como um mecanismo para proteger o tecido lesionado. Porém a sensibilização periférica prolongada pode levar a uma sensibilização central, que se refere a limiares alterados na medula espinhal e/ou redução da inibição cortical da dor, a qual pode ser representada pela alodinia e a hiperalgesia.

Essa condição pode diminuir a eficácia das intervenções terapêuticas e aumentar o risco de progressão para uma síndrome da dor crônica, a qual é cada vez maior o quanto mais persistir a dor.

Esse artigo é uma revisão sobre o que é conhecido a respeito de dor no ombro e sensibilização. Todos estudos avaliados reportaram a presença da sensibilização periférica, indicando que o limiar nociceptivo foi consideravelmente reduzido com dor no ombro unilateral, enquanto a maioria dos estudos mostraram evidências de sensibilização central.

Os músculos e tendões do manguito rotador, principalmente o supraespinhoso, apresentam muitos nociceptores, que provavelmente contribuem para a sensibilização central do ombro. A duração da dor certamente determina a transição da sensibilização periférica para a central, mas o tempo preciso ainda é incerto em humanos. Os estudos não mostraram dados consistentes do tempo, porém a menor média foi de 8,5 meses e a maior média foi de 44,3 meses, assim todos considerados dor crônica. O que os achados implicam é que intervenções conservadoras para aqueles com dor crônica unilateral no ombro terão menos repostas eficazes ou vão precisar de mais recursos.

Exercícios e técnicas manuais quando aplicadas no tempo apropriado e com a intensidade correta podem modificar consideravelmente o input periférico e positivamente alterar o processamento central. Intervenção precoce para dor no ombro também deve ser realizada para prevenir a centralização da sensibilização. Exercícios agressivos nos estágios inciais da disfunção podem ser prejudiciais se os movimentos forem fortes e excessivos ativando a sensibilização periférica e aumentando ou prolongando a dor.

Terapeutas precisam ser habilidosos para distinguir uma dor mínima decorrente do exercício físico de um aumento da dor prolongado. É preciso também educar os pacientes das atividades que precisam ser restringidas ou modificadas. Mas não é conhecido ainda formas terapêuticas de diminuir essa sensibilização.

 

Artigo na íntegra:

http://www.scielo.br/pdf/rbfis/v19n4/1809-9246-rbfis-2014-0100.pdf

 

 

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