Filtro solar: você sabe escolher seu protetor?

Esta semana o Verão começou realmente, e com ele, muito (muito!) sol.Resumimos um artigo que explica como funciona o fator de proteção solar (FPS), para facilitar sua vida na hora da escolha de seu protetor solar.

Artigo “Fator de proteção solar: significado e controvérsias”, publicado nos Anais Brasileiros de Dermatologia, em 2011. Confira o artigo completo aqui: http://ref.scielo.org/mx9cpp

O Fator de Proteção Solar (FPS) é o principal dado para quantificação da eficácia fotoprotetora de um filtro solar, sendo universalmente aceito. Seu método é baseado na determinação da Dose Eritematosa Mínima (DEM), definida como sendo a menor quantidade de energia necessária para o desencadeamento de eritema, em áreas de pele protegidas e não protegidas pelo produto em estudo. O valor do FPS é, então, calculado como a razão numérica entre a DEM da pele protegida e a da pele não protegida.

A primeira publicação demonstrando um método para determinação do valor do FPS foi apresentada em 1978. Apesar de ser considerado o método referência para quantificação da eficácia fotoprotetora de produtos tópicos, existem controvérsias na literatura acerca do método para determinação do FPS e sobre as implicações das reais condições de uso na proteção atingida na prática pelos usuários.

Controvérsias

O Fator de Proteção Solar quantifica a proteção que um determinado produto é capaz de oferecer, em termos de tempo de exposição, contra a queimadura solar se comparado à exposição desprotegida.10 Assim, se um determinado protetor apresenta o valor de FPS 30, isso significa, na prática, que é necessária uma exposição solar 30 vezes maior para produzir eritema, se comparada à situação em que este usuário não estaria usando aquele protetor.

Para que pudéssemos calcular o tempo de proteção com o uso do protetor solar, teríamos de saber o tempo para produção de eritema sem o referido protetor para aquele indivíduo. Esse tempo, entretanto, sofre uma forte influência de fatores pessoais e ambientais, como a resposta  eritematogênica individual (na qual o fototipo é uma tentativa de classificação), o índice ultravioleta (IUV) daquele específico dia (lembrando que o IUV é uma estimativa para o meio dia solar), o horário do dia, o índice de exposição daquela região do corpo (por exemplo, a face tem índice de 0,3, ou seja, recebe somente cerca de 30% do total da radiação) e o tipo de solo onde está o indivíduo (considerando que o índice de reflexão é variável de solo para solo e não está estimado no IUV). Por estes motivos, a tendência é não utilizar o valor do FPS para determinar tempo de exposição ao sol, mas sim, nível de proteção.

Desenvolvido há mais de trinta anos, o Fator de Proteção Solar (FPS) é o método mais aceito para avaliação da eficácia fotoprotetora dos filtros solares, sendo consagrado universalmente como a principal informação na rotulagem dos fotoprotetores. Mesmo assim, existem controvérsias em relação ao método e sua aplicabilidade nas condições reais de uso.

Os pontos críticos para que o método de FPS seja repetitível e reprodutível, essenciais para a confiabilidade dos resultados, são a fonte artificial emissora de radiação ultravioleta (atualmente padronizada pelo uso da lâmpada de arco xenônio) e a quantidade de aplicação do produto no dorso do voluntário. Por isso, vários estudos foram realizados na tentativa de produzir um controle maior dos parametros. A conclusao mais aceita é a de que os parâmetros-chave são: a quantidade e a forma de aplicação do produto.

A superfície cutânea é irregular, composta por sulcos e saliências que podem apresentar maior ou menor amplitude dependendo da região do corpo e segundo as pesquisas mais recentes, o ganho proporcional de absorbância em relação ao aumento do valor do FPS é reduzido drasticamente quando o valor de FPS fica acima de 30; o que levou ao conceito amplamente difundido, de que o FPS se limitava a 30. Entretanto, o assunto é bastante controverso na literatura.

O que mais se discute atualmente são as questões relativas ao uso correto dos protetores solares, como fator essencial na efetividade do produto, sendo importante maior atenção em relação à adesão do usuário para o uso mais adequado do fotoprotetor, incluindo a aplicação da quantidade correta e a reaplicação periódica. Desta forma, não faz diferença, na prática, o uso de um protetor solar de FPS 30 ou 35, por exemplo, se de fato a aplicação não for feita de forma adequada.

O Fator de Proteção Solar é ainda a principal informação acerca da eficácia de um filtro solar, mas a sua interpretação não deve ser baseada somente no valor numérico em si, devendo-se também considerar a adequada forma de uso do produto, em termos de quantidade aplicada e regularidade na reaplicação.

Por fim, na escolha de um agente fotoprotetor, além do FPS, os dados relativos à substantividade (resistência à água),  proteção UVA e fotoestabilidade devem ser considerados para uma correta fotoproteção.

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